A Procuradoria Geral do Estado de Minas Gerais divulgou edital afastando o promotor Dr. Rubens Andrade Maciel da função de Curador das Fundações da Comarca de Três Corações.
A notícia, apesar da confirmação da publicação no Diário Oficial Minas Gerais, já é pública é notória e não causou surpresa alguma àqueles que acompanham o desenrolar dos fatos que se sucedem em Três Corações.
O referido promotor é alvo de ao menos duas representações na corregedoria do ministério público e seu silêncio em relação à crise da UNINCOR somente fez acirrar os ânimos já mais que exaltados de uma população que não aceita mais ver dilapidada o patrimônio comunitário.
Devido à gravidade da crise, não enxergada pelo então titular da curadoria, a procuradoria irá nomear um representante do ministério público que não provoque dúvida quanto à questão de conflito de interesse conforme então existia.
Após as representações, o jornal FOLHA DO SUL trouxe em matéria de capa Manchete esclarecedora narrando, uma pequena parte, do envolvimento financeiro do ilustre promotor com a Fundação que a princípio caberia a ele zelar pela sua integridade.
Em Edital publicado no JORNAL TRÊS, o ilustre promotor mais uma vez perdeu a oportunidade de esclarecer a população sobre suas reais atribuições em relação ao assunto e desandou a tecer comentários que levaram muitos membros do próprio Judiciário a uma ‘confusão mental’ quanto aos seus reais interesses e eventuais recados.
Enquanto isso ficamos sabendo que Adair Ribeiro, ‘o nunca mis reitor’, apresentou ação judicial solicitando a substituição do interventor Dr. Tufi Neder Meyer. Segundo consta ele está preocupado com a severidade com que o interventor está agindo, inclusive abrindo processos policiais e judiciais para apurar fatos ocorridos durante o tempo em que tinha poder sobre a UNINCOR, pagando mais de 300 mil reais ao Braz Pagani que, todos sabemos, era quem mandava e desmandava naquela instituição por quem os tricordianos sempre mantiveram orgulho até então.
Em recente entrevista na Rádio Tropical, o sr. Professor Mario Dantas, desabafou sobre a triste realidade do Rio Verde, lamentando, com justa causa, a falta de interesse e de medidas para salvar o principal curso d’água da região antes que seja tarde demais.
Parabenizo o ilustre professor e sei de seu antigo engajamento nessa causa que transcende interesses partidários e deve ser prioridade para governo e sociedade. Antes que seja tarde demais, conforme diz professor Mário Dantas.
Gostaria também de tecer alguns comentários sobre o assunto e, mesmo com algumas discordâncias pontuais com o ilustre professor, desde já me prontificar a ingressar nesse Bom Combate.
O poeta Português Fernando Pessoa sempre dizia que o rio que banhava sua aldeia ‘detrás-dos-montes’ era muito mais bonito que o Rio Tejo, portentoso a banhar Lisboa então a Capital do Mundo. É e verdade, assim como o nosso Rio Verde é – e sempre será – muito mais belo que o Tâmisa, que o Iguaçu ou que o Mississipi. E muito mais importante que nos preocuparmos com a poluição do Tietê, com o desmatamento amazônico ou com o lixo espacial, devemos primeiro cuidar, entender, valorizar e aproveitar desse ‘olho verde da serra que vira rio’.
O Rio Verde nasce em Itanhandu. Como mais um dos ‘olhos d´agua’ que fazem a Serra da Mantiqueira ter sido chamada assim pelo antigos indígenas: A-MAN-TIQUIR, ou Serra que Chora em Tupi-guarani.
Dessa forma, podemos entender o Rio Verde como uma lágrima que escorre dessa Serra, chorando por séculos de descaso e degredação ambiental.
Escorrendo do maciço de pedras que se elevam às nuvens, as águas trazem em suas corredeiras a rigidez pétrea dos picos do Itatiaia e das Agulhas Negras, irrigando nosso solo e semeando a solidez de laços que unem o homem a mãe-Terra.
O acúmulo de lágrimas faz esse Rio de nome Verde ter águas de uma coloração densa, triste, suja. Afinal, nos seus pouco menos de 200 quilomêtros de extensão, o Rio Verde perde suas águas cristalinas repleta de trutas e vai recebendo descargas de esgotos, vindos dos 31 municípios que compõeem sua bacia hidrográfica. Além de esgoto, vem entulhos urbanos, plásticos, dejetos industriais e metais pesados de incipiente pólos industriais e ainda grande volume de pesticidas (venenos) aplicados sem orientação nas lavouras e que acabam por contaminar os lençóis freáticos.
O Prof. Mario Dantas reclama, não com tanta razão, da falta de medidas públicas, políticas efetivas para defender o Rio Verde. E atribui nota abaixo de zero para Três Corações em relação ao que se faz para o Rio Verde.
Não é a toa que dizem que o Brasileiro tem memória curta. Há bem pouco tempo atrás, uma grande polêmica praticamente dividiu a cidade. Quando o atual prefeito José Roberto de Paiva Gomes, o Gordo Dentista, firmou contrato com a COPASA, a empresa ficou responsável pela construção de três E.T.E. (Estação de Tratamento de Esgoto em Três Corações). Por atravessar um trecho de mais de 10 quilomentos do perímetro urbano da cidade, esse tratamento é realmente dificultoso, mas por bem ou por mal teremos essas E.T.E.
É uma medida até questionável por parte do prefeito Gordo Dentista, já que as tarifas de água e esgoto sofreram grande aumento, mas ninguém pode negar que foi uma medida corajosa e nada politiqueira.
Como toda medida política, principalmente em ano político, tem o apoio ou não conforme os interesses dos demais políticos, politiqueiros. É uma pena. Ainda pensam que o elogio a uma medida realmente louvável do adversário é sinal de fraqueza. Penso que, um dia, chegaremos num estágio em que todos, apoiadores e oposicionistas, saberão distinguir as ações que são realmente de interesse da comunidade, seja feita por quem for.
POLITICA DE MEIO AMBIENTE
É muito fácil, fácil demais, falar apenas mal dos políticos, senadores, deputados e, principalmente, dos vereadores, que são os agentes políticos mais próximos da população. Mas verdade seja dita: Logo após a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, cada Estado fez sua própria Constituição e depois coube a cada Município elaborar a Lei Orgânica, que seria sua Constituição Municipal.
Aqui na região, por iniciativa do brilhante Sérgio Mário Regina, a Câmara Municipal de Três Corações apoiou de imediato sua idéia de reunir os vereadores dos 31 municipios da Bacia do Rio Verde para que houvesse uma padronização de regras em defesa do Rio Verde. Isso foi importante porque poderíamos ter um caso em que as leis ambientais de Três Corações fossem severas, mas dos municípios a montante como Conceição e São Lourenço, houvesse grande tolerância e os dejetos acabariam vindo parar aqui em Três corações. A iniciativa foi muito bem aceita por todos e quem se der o trabalho de pesquisar constatará que os artigos referentes ao Rio Verde nas Leis Orgânicas de todos municípios da região são praticamente idênticos.
A iniciativa e o trabalho, como disse, foram muito bem sucedidos, mas como quase tudo que acontece aqui no Brasil, acabou no esquecimento.
Também por ocasião da elaboração da Lei Orgânica, foi criada a APA (AREA de PROTEÇÂO AMBIENTAL), conhecida como Mata dos Escoteiros. Trabalho do Grupo de Escoteiros, da Sociedade protetora dos Animais, Tarcisio Rodrigues, Mauro Duarte.
Vale lembrar aqui a composição daquela Câmara Municipal que fez a Lei Orgânica e inovou em vários outros aspectos de abertura para participação popular.
Presidente: Jorge Machado; vice-presidente Dr. José Jamil Auad; Secretário Claudio Vilela; Relator da Comissão de Sistematização Heloízio ‘Buluca’ Dominitini; vereadores: Paulo Freitas; Paulo Sandy; João Arbex; Orildo Maritan; Adenir Ferreira; Alcelino Freitas; José Alves Pereira; Carlos Alberto Bastos; José Mariano Augusto Morais Neto; Janete Bonganhi; Emilio Marques dos Reis.
As criticas são corretas do Sr Mario Dantas, presidente do subcomitê da bacia hidrográfica do Rio Verde. Mas falta ao mesmo uma ação mais incisiva, como ele mesmo disse, que o povo somente reage diante leis. Essa mola que Dantas lamenta não existir não surgirá do nada. Os políticos agem conforme pressão do povo. E o povo, para ser pressionado, primeiramente deve estar devidamente conscientizado. E, finalizando ilustre professor Mario Dantas, mantenha suas cobranças sobre a inexistência do CODEMA em nossa cidade, já que, para ter isso que se chama de codema hoje, é melhor nem ter. Espero que sua alegria em defender o meio ambiente, em especial o Rio Verde, volte logo afastando esse desânino que parece lhe tomar conta. Com alegria poderemos logo logo contar com gente e meios para defender e usufruir desse rio de águas novamente verdes como seu nome.
[Anônimo] Prezado, Gostaria muito de ver em seu blog alguma prova mais concreta do que suas falácias. É fácil falar que todos roubaram, inclusive é fácil também invadir a conta bancária dos envolvidos sem ordem judicial (vai dizer que você não sabia?), mas o difícil é provar que houve o desvio. Gostaria de ver este comentário postado, assim como gostaria de ver uma matéria mostrando quem ordenou a quebra de sigilo criminosa nas contas bancárias de funcionários da Unincor.
10/03/2008 12h29min
Prezado,
Conforme o Senhor gostaria, eis a sua postagem, na íntegra.
Até então não sabia da existência de ordem de quebra de sigilo nas contas bancárias de funcionários e envolvidos na crise UNINCOR. E, confesso, não descobri nenhuma ‘ordem’ nesse sentido. Também não descobri nenhum registro de reclamação de alguém que tenha sido prejudicado pó este ato criminoso, conforme o senhor apresenta.
Respeito, mas dificulta sustentar argumentação com alguém que se resiste no anonimato, e assim sem apresentar queixas formais fica difícil saber até que ponto é verdade essa perseguição ou então não seja tudo fruto de uma paranóica imaginação.
Sei do caso de cheques, nos valores de mais de 40 mil reais, que foram apresentados no banco mesmo sendo datados há muito tempo atrás, onde outras pessoas exerciam cargos com responsabilidades de assinar cheques.
De toda forma, realmente concordo que é uma transgressão a quebra de sigilo bancário sem o devido amparo legal. Caso o senhor tenha sido vítima, ou conheça alguém nessa situação, é o momento de trazermos ao público e limitar, se for o caso, as linhas de investigação.
Caso contrário, essa é uma das filigranas jurídicas onde, no Brasil, advogados espertos protelam a culpabilidade dos seus clientes utilizando da ampla garantia do direito de defesa.
Considere esse espaço sempre aberto para suas proposições, já que a idéia do debate pluralista me encanta, mas comunico-lhe que somente terá o devido respeito quando abdicar do anonimato e assumir suas posições, quando posso lhe garantir um dialogo aberto em qualquer tipo de prejulgamentos.
Engana-se quem pensa que a cidade retornou a sua passividade bovina de aceitar tudo e todas as formas de intimidações sempre invocadas por autoridades de mentalidade provinciana.
Enquanto corre o prazo para o desfecho – desejável – da crise na UNINCOR, aproveitemos o tempo para apresentar os devidos e merecidos esclarecimentos sobre as atuações dos personagens envolvidos nessa crise que indignou os cidadãos tricordianos.
Recebemos o recado de uma autoridade de que nesta terça-feira, dia 11/03, ela irá apresentar, mesmo que tardiamente, seus devidos esclarecimentos à opinião pública nas páginas do Jornal Três e/ou similares.
Antes tarde do que tarde demais, diz sempre meu amigo Nando Ortiz... Esperamos que esse esclarecimento realmente convença a população de que não faltou empenho, nem dedicação, nem interesse, nem responsabilidade, diante da crise que afundou a Unincor e dilapidou desavergonhadamente seu patrimônio, diante da omissão dos que tinham a obrigação de zelar pela integridade do seu patrimônio e da sua imagem.
Mas ainda existem os eu acreditam que esse espaço no Jornal será utilizado apenas para
culpar a imprensa dessa crise criada pela ganância e pela vaidade exacerbada. Não toda imprensa, claro, mas a imprensa independente, crítica, ousada, investigativa.
Aquele velho e obsoleto argumento: A culpa é da imprensa. Não possuem provas para divulgar o que todos os indícios levam a concluir como ATOS SUSPEITOS DE CORRUPÇÃO. Provas, provas mesmo, nunca haverá. Não há possibilidade de haver documentos registrando o desvio de muito dinheiro publico para interesses particulares. Sempre serão cobertos de documentos e notas fiscais frias que tentarão esconder o delito. Afinal, roubar tanto dinheiro assim não é coisa de amadores, e eles tentarão dificultar deixar vestígios.
A opinião pública sabe muito bem quem são os mocinhos e os bandidos nessa sórdida história. Veremos as argumentações da, inexplicavelmente calada, autoridade que deve explicações para a sociedade e para a instituição que se responsabiliza pela preservação do patrimônio público.
Não deixem de ler o Jornal Três dessa terça-feira.