UMA AUSÊNCIA PARA SEMPRE PRESENTE
Carlos Edyl
“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
“Estes são os imprescindíveis...” (Bertolt Brecht)
O Capitão Morbello Vendramini lutou na Segunda Guerra Mundial. Por mais importante que tenha sido esse momento histórico para toda humanidade, não foi essa a principal luta que ele se engajou durante sua trajetória humana.
Durante muitos anos Vendramini se dedicou a arregimentar voluntários para, fazer caridade, doando pão, roupa, abrigo àqueles desprovidos de tudo. Sem nenhuma exigência propiciava, além do alimento para o corpo, munição para a alma. E assim serenou muitos seres em desespero, acalentou muita gente sem rumo, incentivou muitas pessoas a se dedicar à beleza de doar, de encontrar – e se reencontrar-com o semelhante. E ainda assim, essas também não foram às principais lutas travadas por Vendramini.
Como soldado na luta contra o eixo nazista, como pai de família, como idealizador de uma entidade onde, além de saciar a fome do corpo, cuidou das necessidades da alma através de difusão da filosofia espírita, o Capitão Vendramini sempre esteve envolvido no Bom Combate.
Por mera questão dogmática, ‘Reencarnação ou Ressurreição’, o espiritismo não era bem aceito pela Igreja Católica, que de uma forma ou outra, determinou nossa formação cultural. Hoje existe mais tolerância. Até porque sobre a Verdade, ninguém sabe ninguém saberá.
Essa diferença, teórica, dogmática e filosófica quase que tornam inconciliáveis ambas as crenças. Mais uma bobagem humana. São muito mais próximas do que divergentes. Não somente na importância dedicada às ações de caridade, mas também e principalmente, por saber e reconhecer a existência do mal que pelo livre arbítrio deve ser evitado. A crença num Deus maior, que não existe para aplicar punição imediata aos incautos que se fascinam com os sedutores atrativos ofertados pelos distantes das Forças do Bem. Ao contrário. O imediato é uma das forças do mal, que oferece recompensa instantânea através dos prazeres mundanos para a carne e acúmulos desnecessários de poder e de matéria.
Então é onde entra a consciência, moral, ética, e livremente optar por não se deixar encantar por fugazes prazeres terrenos. Preferir a opção que, aos ignaros e malévolos, é o caminho mais difícil. Onde o que realmente importa é a paz interior, a consciência tranqüila, a espinha ereta. E fazer a coisa certa, independente de recompensas terrenas ou celestiais. Essa imagem, essa opção da batalha pela coisa certa é o que torna Vendramini como exemplo até então vivo, e a nós o mais próximo possível, da Santidade idêntica às exigências católicas. Por mais que os muitos pequenos não conseguissem ver além da diferença dogmática.
Morbello Vendramini fez sua opção. E sua –a todos possível- Santidade exalava o bem de forma que, confesso, não sei descrever.
Um determinado dia conversei com ele sobre problemas que me eram torturantes. Ele ouviu sereno meus conflitos de juventude, com olhos distantes, mas atenção constante. E se não me trouxe respostas. Me fez crescer principalmente por me ensinar a perguntar.
Nunca pude agradecê-lo pessoalmente pelo presente. Ele certamente nem deveria se lembrar de mim. Mas toda vez que eu o via, em passos sem pressa, sob seu chapéu que davam sombra aos olhos que enxergavam muito além do que me é possível enxergar, eu simplesmente o admirava.
Entre tantas coisas que se pôde aprender com Capitão Vendramini, creio nada mais valioso que o prazer de exercer sua humanidade. Com espiritualidade. Bem aventurados os que conviveram, convivem e mesmo os que se deparam com grandeza humana assim.
Sua maior luta, dia a dia, foi o aprimoramento pessoal. Humano. Pessoas assim nos são imprescindíveis. Mesmo depois de ausentes, continuam se fazendo presente. Sem pedir nada em troca. Apenas sorrindo com os olhos ao presenciar nosso aperfeiçoamento humano. Pessoas assim nos fazem melhor. Fazem a Humanidade melhor, apesar de tantas notícias em contrário.
Tentaremos amenizar sua ausência com a invocação dos seus ensinamentos.
Como exemplo da insistência da Humanidade em se diferenciar da mediocridade que a tudo assola, finalizo com um texto que capturei na NET de autoria do poeta-filósofo persa Jalal Rumi, que no século XIII já prenunciava o que o mundo ocidental posteriormente difundiu como movimento cultural chamado RENASCIMENTO:
“(...) No dia em que levarem meu corpo morto não penses que meu coração ficará neste mundo. Não chores por mim, nada de gritos e lamentações - lembra que a tristeza é mais uma cilada do demônio.
Ao ver o cortejo passar, não grites: "ele se foi!" Para mim, será esse o momento do reencontro. E quando me descerem ao túmulo, não diga adeus! A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.
Ante a visão do corpo que desce pensa em minha ascensão. Que há de errado com o declínio do sol e da lua? O que te parece declínio, é tão somente alvorada.
E ainda que o túmulo te pareça uma prisão, e é ele que liberta a alma: toda semente que penetra na terra germina. Assim também há de crescer a semente do homem. (...)”
JALAL RUMI
Carlos Edyl Santiago Filho, jornalista, funcionário administrativo da Câmara Municipal de Três Corações.
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Escrito por Carlos Edyl às 20h41
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AFRONTA A JUSTIÇA
Carlos Edyl
Adair Ribeiro já deu mostras de que respeita muito mais os orixás invocados pelo seu guru ‘pai Rhonnel’ do que os poderes constituídos. Nas sessões de yorubá realizadas no sítio do tambor, Rhonnel convenceu o crédulo Adair que as entidades do sobrenatural realmente o faziam diferente dos demais mortais, de forma que ele, naturalmente, se sentiu no direito de ignorar as decisões e opiniões, primeiro do Conselho da Fundação, depois da população e agora da própria justiça. Atuando despudoradamente para dilapidar o patrimônio da UNINCOR, Adair promove – ainda mais – desvios de dinheiro e patrimônio público, convicto de que o Judiciário não tem poder para atingir sua magnífica pessoa.
Ainda bem que existem os que não concordam com sua visão rasteira da sociedade e farão de tudo para que, além da Justiça divina, a Justiça humana alcance sua repudiada figura.
Carlos Edyl Santiago Filho, jornalista, funcionário administrativo da Câmara Municipal de Três Corações.
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Escrito por Carlos Edyl às 21h51
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