MARIA VIRA FUMAÇA
Carlos Edyl
O trem passa
Em frente a sua casa
E sempre em frente
Da casa da minha avó.
Você nunca está presente
Minha avó não mora mais aqui
O trem continua passando
Mas eu nunca mais o vi
Decerto outras pessoas
dão outros sentidos
a essa locomoção
De 'vagãos' repletos
De vazios desconhecidos
Ainda incomoda
a presença sonora
daquela embarcação
sem pressa, sem exatidão,
Desejando no mapa
O descanso da próxima estação.
Toda Maria Vira Fumaça
De carvão, vapor que embaça,
De óleo, diesel que embriaga
Enquanto alguém me esquece
O que não cabe na minha trajetória
Que cale-se na minha memória
Em saudade, o passado ainda acontece...
Escrito por Carlos Edyl às 20h35
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