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Pulsações Tricordianas
 


PRÓXIMA ATRAÇÃO

                                                                           Carlos Edyl

No teatro nosso de cada dia

A sala foi ficando pequena

A poltrona vazia

Em demasia

Aplaude nosso cinema

 

E repetíamos cada cena

Com naturalidade mais que obscena

Na certeza de um final sem surpresa:

A explosão dos corpos se apalmando

Murmúrios que fazíamos em ensaios

Em múltiplos e simultâneos desmaios.

 

Mas a vida tem sua arte

Que vem sempre, nunca tarde.

 

Cada um por seu lado

Deixamos vazio o cenário

No refúgio do próprio camarim

Criando ou resgatando

Outros personagens

Com outros diferentes fins

 

A vida é uma peça

Onde, do fim, tudo recomeça

Imperdível por ser assim

 

Atores e Atrizes; Amores&Cicatrizes



Escrito por Carlos Edyl às 14h57
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Testamento

                                                             Carlos Edyl

Deixo-te o céu

A eternidade azul do firmamento

Com estrelas a cair

encerrando inúteis esperanças

desse solo não há como sair.

 

Deixo-te um corpo

Muitas formas, muitos rostos

e o gosto ruim de apodrecer

tão apegado és a carne que lhe acorrenta

que só faz proteger sua própria prisão.

 

Fecho-te os olhos, faço-te silêncio

para que durmas e descanse

da sua própria condição

Do que és na realidade

Tão pequeno e frágil

inverso da sua imaginação.

 

E quando diferente,

quiser desse sonho acordar

Para por todo o sempre ter um novo sonhar

 

Então nesse exato momento

Tiro-lhe a alma

Faço-te anjo

Dou-lhe asas

Livro-te do limitado pensamento

E na sala da definitiva casa

Ao universo lhe apresento

Como meu único Testamento.



Escrito por Carlos Edyl às 23h35
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  NEM UM DIA SÓ

                                              Carlos Edyl

Foi

Tão bom

Te ver assim

Tão bela

Mesmo que

Um dia só...

        Sempre

        É bom

        Te ver assim

        Mais bela

        Mesmo que

        Um dia

        Só...

                  O tempo passa, e você não

                  A chuva passa, e você não

                  A noite chega e você não....

                          Cicatriz

                          Do que me fez feliz

                          Tatuagem

                          Não esqueço

                          Sua imagem...

  Nem mesmo um dia só. 



Escrito por Carlos Edyl às 20h46
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INCOMPARTILHÁVEL

        INCÔMODO

                                              Carlos Edyl

       

   Quando sei

                      que nada sei

-  Mais que repito a filosofia.

 

            Confesso a consciência

            como um fardo

            de um pecado

            que certamente cometeria

- Se dele soubesse!!!

 

E também por que

tão insuportável esse incômodo

de ninguém ver o que eu vejo

- Incompartilhável desejo.

 

Com meu arrepio

ninguém mais pode se maravilhar.

Com quem adormeço

ninguém mais amanhecerá.

 

E inatingível, fica o azul

Do céu do fim do labirinto

Céu que só existe enquanto penso

Enquanto sinto

O vazio imenso

Da menina que virou Maria

Da ausência que ela me fazia.

 



Escrito por Carlos Edyl às 19h29
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Ódio                                 Roberto Iemini Carvalho  

 

          odeio os olhos

 

que deus

te deu

 

         os olhos

         infernais   

 

e o que está

dentro deles

 

odeio o teu olhar

sobre mim

 

       e o deus

       que o desejou



Escrito por Carlos Edyl às 12h12
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Enquanto procurava

O meu próprio Eu

Não reconhecia

A constância da presença

       De Deus:

À humana indagação

resposta alguma

satisfaria

Até um dia que percebi   

que no meio de

           D E U S

     Tem  E U



Escrito por Carlos Edyl às 11h58
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   Olhos Sãos                                          

                                                             Carlos Edyl

 

Não nos ouvidos

Inconfessáveis sussurros

São mantidos

 

Nem na língua

Inesquecíveis sabores

Se mantém contidos

 

Nunca a pele

Guarda para sempre

Como tatuagem

os arrepios indevidos

 

Mas os olhos,

Os olhos sãos,

Doces resistentes

Ao ácido que o tempo impõe



Escrito por Carlos Edyl às 11h36
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